A Região e o Território: O Projecto Político e o Projecto Cultural
Artigo publicado em 22-04-2007
Autor: Osvaldo Santos Ferreira
Artigo publicado em 22-04-2007
Autor: Osvaldo Santos Ferreira
O território deve ser tratado de novos pontos de vista e entre os quais a análise que toma como referência a existência de actores e de sujeitos. Pode-se começar com a ideia de Boisier, de que a região passa a ser sujeito de seu próprio desenvolvimento, deixando para segundo plano os limites e atributos geográficos e de tamanhos que dominavam as teorias e práticas relacionadas com a regionalização.
O território organizado, que pode ser uma região, província ou município, deixou de ser o simples produto das relações sociais de produção para se transformar, nos tempos de hoje, em “agente” ou “sujeito” do seu próprio desenvolvimento, o qual passa a ser mais endógeno e equitativo, sem ser autónomo, uma vez que plenamente inserido no mundo internacionalizado (Boisier, 2001).
Nesses termos, a região deixa de ser definida prioritariamente pelos seus limites, tamanhos e outros atributos geográficos, para se converter numa estrutura complexa e interactiva e de múltiplos limites. Superada a noção de contiguidade, uma região concilia alianças tácticas para atingir objectivos determinados e por prazos determinados com outras regiões, a fim de se posicionar melhor no contexto internacional. A partir do núcleo original, podem-se configurar múltiplas espirais associativas, que conformam novas instâncias regionais, sem que a unidade básica perca a sua própria natureza (Boisier, 2001).
Deve-se considerar, ainda, que a formação de um território dá às pessoas que nele habitam a consciência da sua participação, levando ao sentimento da territorialidade, responsável pelo surgimento de uma consciência de confraternização entre seus habitantes. O termo territorialidade expressa, portanto, tanto o que se encontra no território e está sujeito à sua gestão, como o processo subjectivo de consciencialização da população de fazer parte de um território, de integrar o território.
Na primeira acepção, o território vincula-se à geografia política e geopolítica e, na segunda, vincula-se a uma geografia que privilegia os sentimentos e simbolismos atribuídos aos lugares.
Na definição do meio regional inovador, que emerge da globalização económica, o papel central pertence aos actores, pois o meio é composto por actores que têm uma representação e uma concepção convergente daquilo que a organização regional traz quando integra as capacidades dos sistemas locais, valorizando a maior criatividade sócio-económica daí resultante.
O meio inovador regional, portanto, é o conjunto das habilidades colectivas oriundas das práticas acumuladas nas Redes e a sua mobilização nos procedimentos mais ou menos informais que fazem avançar as problemáticas económicas regionais, bem como suas soluções. Assim, o meio regional inovador manifesta-se por meio da cultura que assim se constitui (Benko, 1998).
Em 1998 Dymski introduz a ideia de fronteira nas suas análises de forma a definir uma economia de “boom”. Este autor define um novo conceito para a economia regional: a “economia de alto crescimento”. Este conceito está associado à economia de um determinado espaço geográfico que verifica um crescimento mais rápido do que as economias nas regiões ou países adjacentes, durante um período sustentado. Dessa forma, o autor sustenta que as economias de alto crescimento têm fronteiras.
Uma economia de “boom”, por sua vez, é a economia de alto crescimento, na qual esse alto crescimento é imputável parcial ou integralmente aos significativos e sustentados influxos de trabalho e riqueza. Dymski define as fronteiras de forma muito ampla, não se referindo somente à imposição de barreiras impeditivas à livre entrada de cidadãos de outra nação, nem também à divisão ambígua entre o urbano e o rural, pois toda a área espacial delimitada e contígua pode ser tratada como uma economia com fronteiras.
O inconveniente das fronteiras que existem na problemática regional, ainda que não tenha papel preponderante como no passado recente, restringe-se à existência de um “balanço”. Quando se fala em regionalização, o primeiro problema que se coloca é o facto de que quem recebe a denominação de regiões/territórios é quem na realidade, não consubstancia valores que lhes permita usufruir dessa designação.
Assim, na maioria das vezes, o desafio é transformar territórios semi-estruturados e semi-organizados mediante actos de voluntarismo político. Esse voluntarismo, ainda que superficial, é necessário para transformar essas não-regiões em regiões com existência real, tanto do ponto de vista sociológico como político. Configura-se assim, o processo de construção regional, que se apoia na colocação em prática de dois projectos: um projecto político regional, produtor da coesão e da mobilização; e um projecto cultural regional, produtor da percepção colectiva de identidade.
O projecto político regional supõe a definição de um futuro regional, mediante a selecção de um cenário possível dentro da gama de cenários regionais desejáveis, o que pressupõe a especificação da ideologia do projecto, a sua condução política, o seu apoio social e a sua base técnica.
O projecto cultural regional, por sua vez, deve ser o resultado de uma inteligente combinação da apropriação regional das culturas locais vernaculares preexistentes e da apropriação regional da cultura universal.
Um projecto político só se estrutura a partir de uma imagem futura da sociedade a que se refere, pois é essa imagem que vai assegurar a sua condução social, porque mostra aos actores e agentes para onde se quer ir. Certamente, trata-se de uma imagem que representa uma construção voluntária do futuro, sem, por isso, se converter numa utopia, na medida em que tal imagem representa o campo do possível dentro do desejável.
Taxas de Juro e de Câmbio:
Taxa Euribor
19.04.2007
1 Mês
3,857 %
3 Meses
3,985 %
6 Meses
4,107 %
12 Meses
4,257 %
Fonte: Reuters
Taxa Câmbio*
20.04.2007
Dólar (USD)
1,3606
Iene (JPY)
161,45
Real (BRL)
2,7521
Yuan (CNY)
10,5010
Fontes: BCE e BP
* x moeda por 1 euro
