Autor: Osvaldo Santos Ferreira
“O processo de mudança requer uma especial atenção por parte dos seus actores. É importante que estes entendam e analisem correctamente os objectivos da organização, identifiquem as principais dificuldades que vão encontrar e os facilitadores da mudança.”
Na primeira parte deste tema foi abordada a forma como o Comportamento Organizacional influência a vida das organizações e as definições mais comummente aceites na área das ciências económicas e empresariais. Vimos também que a mudança e a aprendizagem organizacional assumem-se como factores críticos para a sobrevivência e aumento da produtividade. Começamos também por distinguir a mudança e a aprendizagem organizacional como elementos fundamentais para um desígnio tão aclamado, como é o aumento da produtividade das organizações.
A mudança é normalmente aceite como um processo natural ao longo da vida de uma organização, e este, é resultado da resposta que esta vai dando às pressões provenientes do ambiente onde estão inseridas.
Pettigrew e Whipp decompõem o processo da mudança em três aspectos que importa ter em conta. Estes autores consideram que a mudança pode ser analisada segundo o seu âmbito, o conteúdo e o processo.
De forma sucinta, o âmbito da mudança tem em conta os factores contextuais fora da empresa e que podem afectar o processo de mudança, e.g., a taxa de desemprego, as leis laborais, entre outros. Relativamente ao conteúdo, há a preocupação em saber o que vai ser mudado. Pode ser uma máquina, um equipamento ou material utilizado, ou podem ser mudanças na estrutura organizacional ou nas formas e procedimentos utilizados. Quanto mais relacionadas com a parte física (equipamentos, materiais), mais fáceis de conduzir serão as mudanças. Por último, o processo de mudança está relacionado com o estilo de liderança utilizada na mudança, que pode variar do participativo ao autocrático, e quanto à velocidade da mudança. Seja qual for a mudança e o seu nível dentro da organização, é preciso conhecer as razões da mudança; gerir o processo de mudança; realizar um diagnóstico organizacional; definir a direcção da mudança; Estabelecer um plano estratégico de mudança; monitorizar e avaliar o processo.
A aprendizagem organizacional está na essência de uma organização dinâmica que tem a capacidade de captar sinais, quer seja do seu interior quer seja do exterior, e de se adaptar de acordo com esses sinais. A aprendizagem organizacional pode ser entendida como o processo de optimização dos procedimentos de uma organização através de um melhor conhecimento e compreensão dos mesmos.
Argyris e Schon (1978) identificaram três tipos de aprendizagem organizacional, que ainda hoje são considerados como válidos. A classificação é efectuada tendo em conta os “tempos” de reacção às mudanças provenientes do ambiente em que a organização se insere.
Quando a aprendizagem organizacional ocorre apenas como uma reacção a um erro que foi detectado e que se procura corrigir, estamos perante o que os autores denominam de “single-loop learning[i]”. Quando a organização possui alguma capacidade de reflexão sobre os seus procedimentos, para além de resolver um erro detectado, está num processo de aprendizagem organizacional um pouco mais avançado que o primeiro e que ficou conhecido por “double-loop learning[1]”. Num estádio mais avançado de aprendizagem organizacional, estão as organizações que se instruem sobre os dois primeiros tipos, ganhando com essa antecipação vantagens competitivas significativas, nomeadamente pelo facto de não incorrerem no mesmo tipo de erros que as organizações estudadas. Este tipo de aprendizagem é conhecido pelo “deutero-learning[1]”.
Mas como se processa esta aprendizagem organizacional? Actualmente existem várias perspectivas sobre a aprendizagem organizacional para além da abordagem tradicional, centrada na aprendizagem dos indivíduos. Cook e Yanow procuram comprovar essa ideia. Estes autores consideram que a abordagem centrada apenas nas capacidades cognitivas dos indivíduos ignora a importância primordial da cultura organizacional.
Kim considera a aprendizagem organizacional orientada para a acção. Para este autor os modelos mentais dos indivíduos incorporam influências internas e externas da organização pelo que, a aprendizagem organizacional não se pode cingir apenas a um processo intra-organizacional.
As organizações, independentemente da sua natureza, mais ou menos complexas, são sistemas abertos pelo que, sofrem influências externas. Neste sentido, estas não deverão sub-relevar as ligações relacionais da aprendizagem organizacional.
As organizações, independentemente da sua natureza, mais ou menos complexas, são sistemas abertos pelo que, sofrem influências externas. Neste sentido, estas não deverão sub-relevar as ligações relacionais da aprendizagem organizacional.
O processo de mudança requer uma especial atenção por parte dos seus actores. É importante que estes entendam e analisem correctamente os objectivos da organização, identifiquem as principais dificuldades que vão encontrar e os facilitadores da mudança. Desta forma é possível planear e executar as mudanças que venham a contribuir para o desempenho organizacional. Hampton salienta que os principais actores da mudança devem ser bons planeadores do processo e devem ter em conta a arquitectura comunicacional para disseminar esse plano estratégico.
No próximo número abordarei a importância da comunicação organizacional e procurarei estabelecer uma relação entre estes dois comportamentos – mudança e comunicação – e a produtividade das organizações.
Para Saber Mais:
ARGYRIS, C. (1977). Double-loop learning in organizations. Harvard Business Review, September–October, pp. 115 - 125.
ARGYRIS, C. (2003). A life full of learning. Organization Studies, n.º 24, pp. 1178 - 1192.
DAVENPORT, T. e PRUSAK, L. (1998). Working Knowledge: How Organizations Manage What They Know. Boston, MA: Harvard Business School Press.
WINTER, S. (2003). Understanding dynamic capabilities. Strategic Management Journal, n.º 24, pp. 991 - 995.
Para Saber Mais:
ARGYRIS, C. (1977). Double-loop learning in organizations. Harvard Business Review, September–October, pp. 115 - 125.
ARGYRIS, C. (2003). A life full of learning. Organization Studies, n.º 24, pp. 1178 - 1192.
DAVENPORT, T. e PRUSAK, L. (1998). Working Knowledge: How Organizations Manage What They Know. Boston, MA: Harvard Business School Press.
WINTER, S. (2003). Understanding dynamic capabilities. Strategic Management Journal, n.º 24, pp. 991 - 995.
[i] Termo técnico de tradução sem relevância
