Tuesday, 23 September 2008

A MENSAGEM DE NATAL DE JOSÉ SÓCRATES…

A MENSAGEM DE NATAL DE JOSÉ SÓCRATES…
Artigo publicado em 28-12-2006
Autor: Osvaldo Santos Ferreira

José Sócrates tentou na sua mensagem de Natal passar a ideia de que a economia, as contas públicas e o emprego estão a melhorar. Não me cabe divulgar a minha opinião sobre essa mensagem porque ela não valerá muito mais do que isso e, também, porque o leitor terá a sua interpretação das palavras que o primeiro-ministro dirigiu a todos os Portugueses. Contudo, essa mensagem não foi consensual. À direita e à esquerda levantaram-se vozes de discórdia perante tal optimismo relativo à economia Portuguesa. Analisando os dados estatísticos existentes e as análises de conjuntura de organismos nacionais e internacionais podemos constatar que realmente há alguns indicadores económicos que registam uma evolução positiva. Todavia, será esse desempenho suficiente para nos fazer descolar rumo à convergência com os indicadores europeus? Sem querer entrar na análise da mensagem política procurarei analisar o que está por detrás da mensagem!

É interessante registar o rebuliço evocado pela oposição como se esta não soubesse o que são os ciclos político-económicos. Downs (1957) foi um dos primeiros autores a debruçar-se sobre o ciclo a que mais tarde chamaram de ciclo político-económico. Mas foi na década de 70 que começaram a surgir estudos mais consistentes sobre estes ciclos. O estudo de Downs apesar de importante era ainda muito incipiente. Mas o que tem a mensagem de José Sócrates a ver com esta teoria? Tudo e nada. Tudo porque também ele tem que governar com base nos pressupostos implícitos nos ciclos político-económicos e nada porque apenas tem que se limitar a seguir o “protocolo eleitoral”.

De uma forma simples o que a teoria dos ciclos político-económicos nos diz é que existem quatro classes que se distinguem pelo comportamento dos políticos/partidos e dos eleitores. Os políticos/partidos podem ser considerados de oportunistas ou partidários e os eleitores podem ser racionais (têm expectativas racionais) ou irracionais (têm expectativas adaptativas).

Essa divisão permite ao político gerir o seu ciclo político-económico com um objectivo que está além do bem estar social, porque esse já faz parte das suas funções. Aquele que ele ambiciona e que não está garantido à partida é a sua reeleição. Assim, podemos começar a entender um pouco melhor a mensagem. O político que pode ser oportunista ou partidário (não importa agora para o caso) sabe que está perante dois tipos de eleitores: os que têm expectativas adaptativas e os que têm expectativas racionais.

Os eleitores que têm expectativas adaptativas dão grande importância ao desemprego e à inflação como factores que influenciam a sua condição de bem-estar. Quanto menores estas taxas maior o bem-estar deste tipo de eleitores. Nordhaus (1975) considerava no seu modelo que os eleitores têm memória curta. Ou seja, as suas expectativas são formadas de forma adaptativa. Assim, não dão grande importância ao passado e norteiam as suas decisões tendo em conta o desempenho da economia pouco tempo antes das eleições. Esse período pode variar entre 1 a 2 anos antes das eleições.

Este modelo tem sofrido algumas críticas. Dois dos principais reparos são: a hipótese da formação de expectativas adaptativas evidenciar um comportamento”irracional” por parte dos eleitores, uma vez que parece pouco provável que sentindo-se enganados uma vez dificilmente vão promover a reeleição do político novamente e por outro lado, o mais importante, alguns países, como é o caso de Portugal já não têm possibilidade de utilizar a política monetária e cambial para ajustar a taxa de inflação e de desemprego.

Depois de repensada a teoria dos ciclos político-económicos com expectativas adaptativas surge um modelo mais adequado. O das expectativas racionais. Enquanto nas expectativas adaptativas os eleitores ajustam a sua forma de ver a acção do governo com base no passado, nas expectativas racionais essa opinião é formada com base na previsão dos valores futuros das variáveis económicas (produto, inflação, desemprego, etc.) que fazem parte da economia nacional. Assim, por exemplo uma mudança de natureza fiscal ou orçamental irá afectar as expectativas dos eleitores. Veja-se por exemplo o caso dos benefícios fiscais. Na primeira fase do ciclo foram retirados e agora, com a entrada na segunda fase do ciclo político-económico são repostos.

Para finalizar, as palavras de José Sócrates não são mais do que palavras de esperança, ainda que com algum fundamento. Afinal, todos sabemos o quanto as expectativas são importantes na nossa vida e também o quanto desapontados ficamos quando elas não se verificam!


TAXAS DE JURO COM TENDÊNCIA DE SUBIDA

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) a taxas de juro implícitas nos créditos à habitação mantêm uma tendência de subida. A taxa de juro do conjunto dos créditos à habitação fixou-se no mês de Novembro em 4,567 % o que representa uma subida de 0,11 pontos percentuais face a Outubro.

No mês de Dezembro a taxa de juro de referência do Banco Central Europeu (BCE) situou-se nos 3,5%, depois de seis subidas desde Dezembro de 2005. Esta tendência será para continuar durante o ano de 2007 ainda que a um ritmo menor.

A necessidade do BCE aumentar as taxas de juro está relacionada com a retoma da economia europeia e com as pressões inflacionistas que se registam. Esta política ditada pelo BCE e antecipada pelos bancos comerciais é fundamental. Porém, em economias frágeis como a portuguesa em que muitas famílias estão sobrendividadas, os aumentos salariais são baixos, onde se perspectiva uma taxa de inflação acima da média tornando o salário real menor e, o produto internos cresce timidamente, estas políticas assumem um papel dramático.

Embora o Governador do Banco de Portugal não admita para já, tudo indica que o crédito mal parado vá aumentar significativamente. A situação financeira dos portugueses é muito sensível ao aumento das despesas, o nível de poupança é dos mais baixos da União Europeia e assim, com o aumento da taxa de juro os portugueses irão passar a ter maiores dificuldades no final do mês.